Foi dia desses, durante a involuntária reclusão da Usina, em setembro, que recebi uma inesperada visita de Geobaldo, o homem avestruz.

Esbaforido, suando correntezas, o tímido colaborador deste blog,  do interior de uma máscara de celofane  a cobrir-lhe a face,  mal chegou e não perdeu tempo…

Antes que eu pudesse dizer oi, o Cabeça de kiwi foi logo abrindo o bico:

- Sim, é possivel! – exclamou, enquanto batia as asas – ops, os braços, melhor dizendo.

Não entendi nada.

Mas, novamente, antes que pudesse balbuciar qualcosa, ele continuou:

- Vou provar que não sou o único ser especial, diferente, que joga xadrez!

Em seguida, sacando seu indefectível netbook, Geobaldo me mostrou algumas imagens que, segundo ele, lhe foram confiadas, via mail,  por um sócio de um amigo de um tio de um primo de um vizinho amante do xadrez que, por esses milagres que apenas a internet pode operar, Geo só há pouco conheceu.

E, para minha surpresa, até que valem uma espiadela:


Ela é, de fato, uma peça, ou persona, muito especial, no tabuleiro de vaidades desse jogo…

Longilínea, bela, classuda, enigmática. Mas também soberba, orgulhosa, fabulosa e… decisiva!

Sim…

E tudo issoSó para começar!

Afinal, ora brincos, não podem – tampouco devem! – faltar adjetivos para definir essa verdadeira autoridade do xadrez:

Sim, a rainha!

Temida guerreira do jogo, essa peça reúne o poder de duas outras forças, caso somadas: Torres e bispos.

A exemplo das primeiras, a dama pode – caso queira ou considere pertinente –  se movimentar por todas as fileiras e colunas do quadrilátero de combate. E, como os bispos, a rainha, se assim o desejar, também pode desfilar sua elegância através das diagonais livres.

A dama só não pode, a exemplo dos cavalos, pular peças. Mas taí, cá entre nós, algo que não combinaria nem um pouco com a rainha. E ela prefere, claro, lá do alto de sua inigualável figura, que assim o seja:

Comparar-se a um quadrúpede? Nem pensar!

Historicamente, quando o jogo de xadrez foi introduzido na Europa, por volta do século XV, trazido pelos árabes, a rainha ainda não existia, oficialmente, como hoje.

A peça que ocupava sua posição, então, era o vizir. Personagem masculino, representava uma espécie de conselheiro do rei. Mas não possuía, de modo algum, nem sombra dos poderes que a rainha, sua substituta, viria a ter. Para esse humilde assessor de sua alteza, nessa ocasião, tão somente uma casa podia ser alcançada, no máximo, cada vez em que seus serviços eram requisitados.

Quando a rainha o substituiu, entretanto, tudo isso mudou.

Mas os caminhos que determinaram essas mudanças, na verdade, ainda são obscuros. Muitos justificam o surgimento e poderes da dama à atuação da eminente rainha Isabel I de Castela, a Católica. Ela governava, com mãos de ferro – em brasa! -, a Espanha, nesse tempo. Exatamente no mesmo período em que o xadrez desembarcava no continente europeu.

A atuação de Isabel, nessa época, foi determinante para a perseguição de judeus e mouros. Além disso, a ação da inquisição espanhola foi robustecida durante seu reinado. Essa conjuntura parece ter motivado, e muito, o surgimento da rainha nas batalhas enxadrísticas. Uma exceção.

Porque até então, por certo, figuras femininas não eram sequer imaginadas em um campo de batalha tão viril – ops – quanto o xadrez.

Mas é como dizem por aí: Certas coisas são só para quem pode, mesmo…

Abaixo, alguns exemplos de rainhas que circulam, impávidas e estilosas , pela net:

Bem… Não exatamente… ;)

A verdade é que o escriba aqui está vivendo um bocado de mudanças, do lado de cá da tela…

Assim, o blog Usina tem caminhado, neste mês de setembro, em passos de jabuti gripado…

Geobaldo, o homem avestruz, foi quem mais gostou desse ritmo: Desse modo ele tem ainda mais tempo para revelar toda a formosura que a natureza, generosamente, lhe concedeu. Enquanto isso, para se sentir mais confortável, já instalou em seus buracos favoritos toda sorte de bugigangas: Ar condicionado, frigobar, travesseiros, revistas da Mônica… Tem até um tabuleiro de xadrez. Dá para acreditar?

Xexéu, nosso mais sensível colaborador, compadecido pelo trágico rigor dessa espera, já me prometeu um poema, assim que terminar esse período de transição…

Já Felícia Guerra, a Fel, nem ligou: Ao ser informada do atraso, deu de ombros:

- Tô nem aí!

Hum…

De todo modo, este período de transição tem data para acabar: Sábado, 02 de outubro. Nesse dia, a Usina de Xadrez retomará, com fôlego redobrado, o ritmo de postagens do início deste projeto.

Por enquanto, só me resta agradecer a todos os internautas que aqui chegaram e/ou curtiram a Usina…

Daqui a pouco estamos de volta. Abçs!

Alice, conhecendo um mundo nem um pouco quadrado: Agora, também em quadrinhos

A divulgação de uma obra, através do cinema, às vezes, faz um bem danado para a literatura. E também para o teatro, dança, quadrinhos…

Até o xadrez, claro, vez ou outra, e por consequência, pode ter trechos de suas enredos, além de seus heróis – e ações – sob o foco dessa inesgotável – e vital – fonte de contar histórias.

Mas, cá entre nós, até aí, nenhuma novidade. Essa é a natureza do cinema, a chamada sétima arte. E é ótimo que assim o seja. Por aqui, nada a reclamar… :)

Desde o lançamento da releitura de Tim Burton do clássico Alice no país das maravilhas, de 1865, já disponível nas locadoras, onde o cineasta revisita, à sua maneira, o inventivo universo do escritor inglês Lewis Carrol, o mercado editorial lançou inúmeras versões desse livro e, também, de sua continuação, inspirada pelo jogo de xadrez: Alice através do espelho, de 1871. Uma delas, há pouco disponível em bancas de jornais e livrarias, pode ser conhecida através de uma cada vez mais incensada arte: A dos quadrinhos.

Nessa segunda trama a protagonista se vê, uma vez mais, envolta em lugar absurdo, fantástico, agora habitado por estranhos personagens entretidos em uma partida de xadrez nada previsível.

Se, em Alice no país da maravilhas a menina é atraída, inicialmente, pelo curioso rush de um coelho branco que, sacando seu relógio de bolso alega pouco tempo para conversar, em Através do espelho Alice não precisa buscar a aventura do lado de fora de sua casa. Tudo começa em seu quarto, diante do próprio reflexo.

Helena Bonham Carter encarna a rainha vermelha, na versão para a tela grande, de Tim Burton

Assim, súbito, a partir de seu duplo, a protagonista se vê, inexplicavelmente, do outro lado de seu quarto. E de suas coisas, de  seu rosto, imagem, mundo… Não lhe restam muitas escolhas. A não ser, claro, vasculhar aquele insólito habitat.

Em pouco tempo Alice se percebe, novamente, em um universo caótico, bizarro, onde o mágico e o surpreendente se confundem em um estiloso – e  gigantesco… tabuleiro de xadrez.

Quão gigantesco? Do tamanho do mundo.

Ao descobrir, segundo a rainha vermelha, que se desenvolve uma partida, naquele exato instante, Alice não resiste e pede para participar. Fica sabendo que começará o jogo como um peão. Seu objetivo? Para vencer a partida e, com sorte, voltar para casa a tempo do jantar, deverá alcançar a última fila do tabuleiro. É ali que será promovida. Poderá então ser, ela mesma, uma das rainhas daquele caleidoscópico reino.

Fácil?

É… Só lendo – e vendo, e pensando – para saber…

Nova versão em capa dura

Essa obra inaugura o relançamento da coleção Classics Illustrated, da HQM editora. Adaptada por Kyle Baker, um experiente cartunista americano, vale uma espiada. Ou duas, três, quatro…

Digamos que, no xadrez… assim como nos quadrinhos, literatura, cinema… uma nova partida… assim como uma nova leitura, sessão, sempre pode ajudar a enxergarmos o jogo, livro ou filme de um ângulo alternativo, por assim dizer…

Mas, quando nos referimos à essa obra, é possível que a descoberta de novos, outros ângulos seja inevitável… Às vezes opostos àquilo que imaginamos a princípio.

Mas aí… é provável que vire assunto para outro post…. Quem sabe espelho deste…

Ou seja: absurdamente diferente.

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Bônus:

Abaixo, trecho da peça Alice através do espelho, em montagem da Armazém Cia de teatro. Pouco antes de encontrar a rainha vermelha, Alice, representada por Liliana Castro, trava divertido diálogo com as flores – Sérgio Medeiros, Fabiano Medeiros e Marcos Martins.

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Confira:

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A Cidade do Xadrez: um projeto colossal em xeque. Surpresa?

Dubai, um dos sete emirados árabes, e pólo turístico dos mais arrojados do globo, possui, há seis anos, um plano arquitetônico pra lá de ambicioso: Ele prevê a criação de uma cidade inteiramente construída como um gigantesco tabuleiro de xadrez.

Um conglomerado empresarial árabe, em parceria com a Calmúquia, uma das repúblicas da Federação Russa, firmou esse projeto: A partir de sua construção, Dubai se tornaria o centro da prática enxadrística mundial  e abrangeria, regularmente, alguns dos mais importantes eventos da modalidade.

Seriam 64 mil metros quadrados, em branco e negro,  onde 32 edifícios – uma rede de hotéis de 3 a 7 estrelas – deveriam ser erguidos. Ou posicionados. Cada qual, naturalmente, simbolizaria uma das peças envolvidas no jogo. A distribuição dessas peças, através das casas, iria homenagear uma partida de um lendário enxadrista. Os eleitos? A escolha ficaria entre o americano Bobby Fischer e o russo Garry Kasparov.

Burj Khalifa: O arranha-céu pode ser visto a 100 km de distância.

Na ocasião do anúncio, o presidente calmuco Ilumjinov, que também é o atual presidente da Fide – Federação Internacional de Xadrez -,  afirmou que a escolha de Dubai se deu, principalmente,  devido à reputação do Emirado. Segundo ele, Dubai é a cidade onde projetos criativos, como a Cidade Internacional de Xadrez, podem, de fato,  se transformar em realidade.

Assim, Dubai se tornaria um exclusivo point para mais de 60 milhões de seguidores de xadrez amador e profissional em todo o mundo, anualmente. Um espaço no qual enxadristas, vindos de qualquer canto do planeta, poderiam se reunir e disputar torneios ao longo do ano.  Além disso, outros 500 milhões de amantes do jogo teriam a oportunidade de acompanhar, ao vivo, algumas das partidas mais relevantes desse esporte através de telas eletrônicas interativas.

Palm Islands: Maior conjunto de ilhas artificiais do planeta.

Quando o presidente da minúscula Calmuquia fala em reputação, possivelmente ele se refere aos projetos que já saíram do papel em Dubai, como Palm Islands, um arquipélago artificial em formato de palmeiras. Ou o recém inaugurado arranha-céu Burj Khalifa, prédio de 828 metros de altura. O mais alto do mundo.

Avaliada em 3 bilhões de dólares, no entanto, a Cidade do Xadrez é, por enquanto, apenas um sonho. Com a crise imobiliária vivida por Dubai em 2009, quando a cidade testemunhou uma desvalorização de 50% em seus imóveis, o projeto foi colocado em xeque. Indefinidamente.

Resta aos enxadristas animados por essa ideia, esperar. E torcer. Afinal, quando se fala nessa exótica cidade, ao que parece, não há limites para o possível.

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Referências:

http://www.chessbase.com/newsdetail.asp?newsid=1845

http://www.menainfra.com/news/the-cancelled-dubai-mega-projects/

http://www.ameinfo.com/43640.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dubai

http://pt.wikipedia.org/wiki/Burj_Khalifa

http://pt.wikipedia.org/wiki/Palm_Islands

http://pt.wikipedia.org/wiki/Calmúquia

Uma das partidas mais comentadas, reproduzidas e estudadas da história do xadrez, este ano, completa seu centenário. Trata-se da disputa entre os enxadristas Roesch e Willi Schlage, durante  torneio disputado em Hamburgo, em 1910.

A vitória do mestre alemão Schlage, jogando com as negras, em uma sequência inspiradíssima, foi motivo de inusitadas homenagens: Muito mais tarde, no final dos anos 1970, o enxadrista teve até seu rosto estampado em cédulas… da República de Mali!

No cinema, o diretor Stanley Kubrick, conhecido adepto do enxadrismo, reproduziu um trecho desse encontro em uma cena do filme 2001, Uma Odisseia no Espaço: Nela, o astronauta Frank Poole, com as brancas, lamenta a inevitável derrota diante de seu adversário, o supercomputador HAL-9000.

E foi também motivado por essa partida que o italiano Riccardo Crocetta, um especialista em animação, resolveu produzir, sozinho, esse confronto épico. E com soldados muito peculiares.

Através da técnica stop motion, Crocetta, amparado pela trilha sonora do compositor Grieg, encenou, lance a lance, em argila, esse legendário combate.

Para que o desafio inicie, basta clicar sobre a imagem:

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Em tempo:

Clicar no endereço abaixo é uma oportunidade de acompanhar novamente, desta vez com a merecida atenção, aos lances desse jogo:

http://www.chessgames.com/perl/chessgame?gid=1254321

Eros titubeou, no início, diante de Geo. Mas, por fim, concordou em desenhar o Cabeça de Kiwi

Nesta semana este blog contou com a participação, excepcionalmente, do professor e desenhista Eros Secchi.

O talentoso ilustrador, a pedido deste blogueiro, foi convidado a escolher e  retratar um dos enxadristas exclusivos do Blog. Deveria optar entre o sensível  Xexéu, o bicudo Geobaldo ou a espevitada Felícia Guerra. É… dúvida cruel… Para não dizer madrasta!

Qual será o pior? É o que, calculo,  deve ter pensado Eros… rss

De qualquer modo,  os personagens acima mencionados terão, no futuro, a companhia de outros enxadristas no tabuleiro da Usina. E assim, logo que o elenco estiver completo, eles protagonizarão tiras e/ou cartoons que, oportunamente, deverão ser publicados aqui.

Mas, até este anúncio, nem tudo foi fácil…

Logo de início, depois de muito encarar seu eleito, Geo, o homem avestruz, Eros manifestou certa preocupação: Sei não…ele é feio demais. Será que não assustará as crianças?

Eu, na verdade, não soube responder. Mas, de qualquer modo, os apresentei. Era preciso tentar, não?

É, talvez…

Tempos depois, após conhecer seu modelo um pouco melhor, Eros concordou: Vamos ver o que dá para fazer…

E assim, felicíssimo, Geobaldo, ao preparar a pose para sua primeira aparição pública em desenho, até que surpreendeu: Abriu um largo sorriso, Pato Donald Style, diante de um, até então, incrédulo Eros.

Porém, infelizmente, toda essa desinibição não duraria muito: Bastou o desenhista posicionar a caneta sobre o sulfite para Geo, em frações de segundo mergulhar e, assim, colocar a cabeça no lugar. Ops?!

Bem, de qualquer modo, acho que já é um começo. Ou não?

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O enxadrista Brent Baker também é arquiteto e designer

A confecção de peças e tabuleiros de xadrez é, frequentemente, alvo das mais diferentes leituras e interpretações. Se as regras básicas dessa arte não mudam há bastante tempo, o mesmo não se pode dizer dos atores e cenários. E não é para menos. Podemos encontrar, no mercado, versões para todos os gostos: Desde conflitos de contos de fada a batalhas  interplanetárias, passando pelas clássicas – e óbvias – referências medievais.

Este mês, a partir do dia 21, o Moses Lake Museum of Art, em Washington, expõe uma curiosa versão do jogo. Trata-se de uma invenção do enxadrista americano Brent Baker. Ele criou uma espécie de xadrez elétrico.

Seu tabuleiro, constituído de uma placa laminada, é segmentado por bocais e soquetes. Ao realizar seu lance, cada jogador deve posicionar suas peças - lâmpadas coloridas – nessas insólitas casas. Cada cor representa uma das forças do xadrez. Rei e peões são representados por uma luz branca. E somente diferenciados pelo tamanho. Para a dama, peça mais poderosa do jogo, foi escolhido o agressivo vermelho. Cavalos, torres e bispos ficaram, por sua vez, com as cores azul, verde e amarelo, respectivamente.

As peças luminosas são movimentadas diretamente sobre os bocais e, enquanto estão em ação, ficam acesas. Quando uma peça é capturada pelo oponente, é deslocada para a fileira lateral do tabuleiro, onde permanece apagada.

A corrente elétrica foi idealizada para evitar, claro, que os jogadores queimem os dedos durante a partida. São 7 watts para os minúsculos peões e 11 watts para as demais peças. A intensidade do brilho das lâmpadas é controlada por um dimmer.

A despeito de ser um invento há muito conhecido – Baker o concebeu em 1970 -, é impossível negar que trata-se de alternativa luminosa – e original – para a prática do jogo.

E, se os jogadores tiverem um de pouco sorte, nada chocante.

O xadrez luminoso integrará a exposição “Big Deal Art Show Party”, no Moses Lake Museum, em Washington

Pode parecer excêntrico, inicialmente, um título como o deste post. Principalmente quando pensamos no tema do blog. Porque essa expressão, espírito guerreiro, normalmente está vinculada a  uma necessidade de superação, em especial quando se enfrenta algum tipo de adversidade que, à primeira vista, parece invencível.

Nas disputas esportivas tradicionais, ouvimos, através da televisão, essas duas palavras associadas, e repetidas à exaustão nos momentos de dificuldade. Parecem funcionar como um mantra, como chave, como o segredo da recuperação em muitas situações nas quais um dos lados está enfraquecido e precisa encontrar forças onde, aparentemente, elas já não existem. Ou quando é necessário transformar aquilo que parece impossível em realidade.

Eu poderia arriscar, também, dizendo que espírito guerreiro é aquilo que nos toma, nos envolve, e finalmente nos empurra em direção de algo que desejamos com intensidade. Que nos desafia.

E, até por tudo isso, nos impulsiona.

Mas, nesse quadro, seria possível encaixar um jogo de xadrez?

Evidente que sim. Mesmo não havendo, no esporte do pensamento, nenhuma  coreografia cinematográfica. Tampouco feito heroico que possa ser fotografado. E, assim, perpetuado nas primeiras páginas dos jornais. Não, nada disso. Porque o empenho mental, seja para resolver uma equação matemática, escrever um poema ou jogar uma partida de xadrez, pode ser infinitamente mais desafiador do que qualquer sucesso atlético.

É, sim, uma conquista quase invisível. Mas, nem por isso menos intensa. Ou vibrante.

E mais…

Como experiência, inestimável. Já que não exige pouco.  Mas aquele algo mais

E estaremos sempre dispostos a revivê-la, se preciso…

Seja lá quantas vezes, nesse caminho, esse espírito nos levar.

Isso mesmo!

Nesse jogo, Peça tocada é peça jogada. É algo como aquele velho provérbio popular… Ajoelhou? Então reza, menino. Sem choro, vela. Ou trela para lamentações.

Essa é uma das primeiras regras que todo aluno de xadrez deve compreender. Ela é uma espécie de lei que,  é preciso admitir, não dá – ou deveria dar – nenhuma chance para estratégicos recuos.

É especialmente por isso, nesse esporte, que é vital pensar muito bem antes de agir.

Assim, pouco adianta  se inquietar ou murmurar, resmungar ou protestar. Tampouco apelar, apitar, gritar, chorar, espernear, ajoelhar para , por fim, aceitar…

Tocou? É… Há jeito não… É preciso jogar…

Depois que escolhe seu lance, o enxadrista sinaliza o fim de uma dúvida. E o início de muitas outras.

Mas aí, claro, é outra história…

Porque… Se é verdade, como dizem, que o rei é o coração desse jogo…

É na dúvida que está toda a graça…